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Final do Slam Nós por Nós celebra a poesia marginal em Teresina

Texto: Luan Matheus Santana

No próximo dia 2 de outubro, a partir das 17h, a Escola de Música Dona Gal, no bairro Matadouro, em Teresina, será tomada pela potência da palavra falada na grande final do Slam Nós por Nós. O evento é o ápice de uma jornada que contou com quatro edições ao longo do ano e que classificou quatro poetas para a disputa final. A noite vai definir os dois vencedores que, além da premiação, conquistam também uma vaga no Campeonato Estadual de Poesia Falada – Slam Piauí.

O slam é uma batalha de poesia falada nascida em Chicago, nos anos 1980, e hoje espalhada por todo o mundo como um movimento artístico e político. No Brasil, tornou-se um espaço de fala das periferias, reunindo jovens que usam a palavra como arma, escudo e afeto. Sem adereços, cenários ou trilha sonora, os poetas têm apenas três minutos para soltar seus versos diante do público e são avaliados por jurados escolhidos na plateia, o que reforça o caráter democrático e coletivo da competição. Nessa edição, por se tratar de uma edição especial e final de slam, a equipe organizadora selecionou 4 jurados e a platéia ainda vai selecionar um quinto jurado. O juri selecionado é formado por: Dj Milis, Panda Mc, TravyArka e Allícia Nascimento.

Os finalistas que sobem ao palco da Escola de Música Dona Gal representam a diversidade e a força da poesia feita nas bordas da cidade. Badblack (Fabricio Fernandes), cria da zona norte, é poeta, slammer e MC de batalha que transforma em versos as marcas de sua vivência. Akin Correia Alencar, homem trans, negro e militante, é estudante de História e professor substituto, e leva para o microfone o sopro de sua espiritualidade e de sua luta social. K’Allê (Alessandro Guimarães Santos) descobriu cedo o gosto pela palavra escrita, herança da mãe professora, e hoje se firma como uma das vozes mais fortes da cena. Já Erick Som, o “Satanás”, é rapper, ator e produtor cultural da zona sudeste, com uma carreira marcada por EPs, coletivos e resistência no cenário independente.

“Vai ser um Slam diferente, com show-palestra, palco aberto e ainda tem Reação do Gueto. Além disso, o local é uma escolha muito especial, que é na zona norte, uma escola de música e arte, que é impoprtante pra gente. Esse é um movimento independente, feito de nós por nós. A premiação foi doada, o local foi cedido gratuitaente, além das apresentações, da palestra, do pocket-show e dos jurados. Tudo feito na raça, porque prezamos por nossa independência financeira”, afirma Psico Afrodite, realizadora e organizadora do Slam.

O poeta que conquistar o primeiro lugar levará uma trança nagô feita por @trancamell e a vaga estadual, enquanto o segundo lugar garante, além do acesso ao Slam Piauí, uma aplicação de piercing com @wos_bodypiercer.

Atrações musicais e culturais

A final do Slam Nós por Nós não será apenas uma batalha de poesia. O público também poderá acompanhar o pocket show do grupo Reação do Gueto, referência na cena musical teresinense por unir rap, reggae e mensagens de resistência que ecoam as lutas da juventude periférica. O grupo, que há 15 anos se mantém firme nos palcos da cidade, traz em sua trajetória uma produção marcada pela coletividade e pelo compromisso em cantar realidades que muitas vezes não encontram espaço na mídia tradicional.

A noite contará ainda com o show-palestra de Rafa Rafuagi, figura de destaque na cena cultural brasileira, líder do premiado grupo de rap RAFUAGI e fundador do primeiro Museu da Cultura Hip Hop na América Latina. Além de sua carreira musical, ele também é escritor, poeta, palestrante, educador social e gestor cultural. Rafa conecta arte e pedagogia em uma performance que inspira, provoca e convida à reflexão sobre identidade, periferia e futuro. Sua presença na final reforça a ideia do slam como movimento que ultrapassa fronteiras, unindo música, poesia e consciência crítica.

Assim, a grande final do Slam Nós por Nós promete ser mais do que uma competição: será uma celebração da poesia marginal e da cultura periférica de Teresina, reafirmando o poder da palavra como instrumento de transformação social.

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