
O BATALHA LABUTA nasce do encontro entre imagem, território e trabalho. A nova exposição do artista visual Maurício Pokemon com a Comunidade Resolvido, zona rural de Campo Maior, será aberta ao público na próxima sexta-feira, 15 de maio, às 17h, no Campo Arte Contemporânea, como parte de uma programação de exposições simultâneas dos Festejos da Fotografia 2026.
Ramificação do projeto Árvore que Arranha, BATALHA LABUTA integra uma tríade de obras que inclui ainda a série fotográfica inédita “Batalha Imaginada” e a vídeo-instalação “Anunciação da Luta”. Nesta nova criação, o artista se volta para as ferramentas utilizadas na lida cotidiana com a carnaúba, objetos moldados pela necessidade, pela repetição do gesto e pela inteligência prática de povos tradicionais situados nesta zona de transição entre o cerrado e a caatinga.
As imagens percorrem diferentes etapas do trabalho: do extrativismo às artesanias feitas com a palha, revelando ferramentas criadas para funções específicas ou reinventadas no próprio curso da labuta diária. Mais do que objetos utilitários, os instrumentos aparecem como extensões do corpo, marcas materiais de um saber construído na convivência com a terra, o tempo e o trabalho.
Para a realização da obra, a equipe baseada em Teresina retornou ao Resolvido, aprofundando processos de criação e convivência iniciados há dois anos junto à comunidade. Produzidas em formatos analógico e digital, as imagens surgem na exposição entre serigrafias em tecido e impressões offset, deslocando a fotografia para diferentes materialidades e modos de circulação.
A abertura de BATALHA LABUTA acontece junto às exposições Mural Lambedor, do coletivo homônimo de artistas multilinguagens interessados em colagem; Mostra de Acervos, com fragmentos de diferentes arquivos fotográficos de relevância para a história local; Quando o Sol toca, a Imagem nasce, resultado de oficina realizada com estudantes da escola pública Joca Vieira sobre métodos alternativos de revelação; e Raiz na terra virou cicatriz na planta da casa.
As exposições permanecem abertas ao público por 30 dias, com entrada gratuita, seguindo os horários das demais programações do CAMPO ou mediante agendamento de grupos, com possibilidade de visita guiada.
A programação segue no dia 22 de maio com uma Aula Aberta conduzida pelo historiador e professor Naldo Rodrigues, morador da comunidade Resolvido, realizada no CAMPO em dois momentos: às 14h, voltada para estudantes de escolas públicas, e às 19h, aberta ao público em geral. Já no dia 23 de maio acontece o lançamento do Catálogo Virtual de BATALHA LABUTA.
O projeto foi fomentado pela FUNARTE – Fundação Nacional de Artes, através do Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia – 17ª Edição.
Sobre o Campo
CAMPO Arte é um espaço autônomo que desde 2016 se coloca no pensamento-prática sobre artes integradas, envolvendo artistas e não artistas em seus processos de criação e de formação, de forma implicada com a vida. O Campo abriga alguns “territórios culturais”, que se fazem pontes para múltiplas outras conexões com grupos, plataformas, artistas e comunidades do Piauí e de fora dele. São estes territórios: a Casa de Produção, Estúdio Debaixo e Demolition Incorporada, ambientes voltados para ações de pesquisa, criação e reconfiguração de possibilidades a partir do sensível, em especial da produção, artes visuais e dança, respectivamente.
Fundado inicialmente (2016) pela produtora cultural Regina Veloso e o coreógrafo Marcelo Evelin, e conduzido de modo colaborativo com artistas e grupos residentes, como Maurício Pokemon com o Estúdio debaixo. Localizado no bairro São João, realiza continuamente projetos em Teresina com ações de formação, criação, convívio e fruição em arte e outros conhecimentos. O espaço tem se mantido por conta própria e com parcerias pontuais. Em 2019 foi reconhecida pela Câmara Municipal de Teresina como entidade de Utilidade Pública pela forma consistente com que tem desenvolvido seu trabalho junto a artistas e comunidades locais. Tem optado conscientemente por ações distribuídas durante o ano, articuladas em residências/imersões que envolvem um público mais específico ou em ciclos de programações totalmente abertas à cidade, que atuam de modo contínuo e ativo na construção de cidadania a partir do sensível.
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