por um jornalismo contra colonial no piranhão


Do Piauí, do Maranhão, do Piranhão! Sempre na fronteira, separados e unidos pelo velho monge (Rio Parnaíba), partilhamos de sonhos comuns, esperanças que se tecem nas artesanias e nos modos de vida. É desse lugar de fronteira, onde a impermanência te chama pra ficar, que o Ocorre Diário insurge para pensar-fazer um jornalismo outro, capaz de fortalecer as lutas por direitos humanos, em especial, junto à comunidades quilombolas e tradicionais, indígenas, rurais, minorias étnicas, das mulheres, de identidade de gênero, lésbicas, gays, bissexuais,Travestis, transexuais, homens trans, transmasculines e pessoas não bináries, da criança, jovens e idosos, bem como os direitos difusos relacionados ao meio ambiente e saúde.
Mas afinal, o que é o Piranhão? É um território que não cabe nos mapas oficiais. É a junção de dois estados que a geografia insiste em separar, mas que a vida cotidiana teima em unir. É o encontro entre Piauí e Maranhão, costurados pelas águas do Rio Parnaíba, que ao mesmo tempo divide e aproxima margens, histórias e afetos. O Piranhão é terra de travessias, de mercados, de terreiros, de vazantes, de quebradas e comunidades que aprenderam a viver entre um lado e outro do rio sem nunca deixar de pertencer aos dois.
É um território habitado por povos ancestrais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores e trabalhadoras que carregam modos próprios de existir, sonhar e resistir. E é justamente desse chão de fronteira, onde as identidades se misturam e as águas ensinam que toda separação pode ser também encontro, que nasce um outro jeito de pensar e fazer jornalismo: um jornalismo que escuta antes de falar, que caminha junto, que reconhece a sabedoria dos territórios e que acredita no direito de cada povo dizer sua própria palavra.
Se a máquina de guerra colonial aprisionou o jornalismo à uma neutralidade fingida e à uma conversão da notícia em produto à venda, o nosso grito é por liberdade. Desde o seu nascimento, o Ocorre Diário tem fortalecido o compromisso que o fez nascer: atuar junto aos movimentos sociais e populares por uma cidade mais justa e digna para todos, todas e todes. Somos fruto de uma demanda coletiva e popular desse lugar de fronteira; da necessidade de dizer aquilo que foi (e ainda é) apagado pelos jornalismo comercial/convencional.