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Cartas de Esperança: mulheres são maioria entre advogados autodeclarados negros no Piauí

O episódio do podcast O Corre parte de uma reflexão sobre o poder da palavra e sua relação histórica com o acesso a direitos no Brasil. A narrativa resgata como, durante séculos, a leitura e a escrita foram negadas à população negra, funcionando como instrumentos de exclusão social e manutenção de desigualdades. Esse pano de fundo conduz o ouvinte a compreender a linguagem não apenas como comunicação, mas como ferramenta de poder e existência.

Nesse contexto, o episódio apresenta a trajetória de Esperança Garcia, mulher negra escravizada que, em 1770, escreveu uma carta denunciando violências e reivindicando direitos. O documento, posteriormente reconhecido como uma peça jurídica, fundamentou seu reconhecimento como a primeira advogada do Brasil. A história, no entanto, é tratada menos como um ponto isolado no passado e mais como um marco que conecta diferentes tempos da luta por direitos.

A reportagem avança para o presente ao destacar a atuação de juristas negras, como a advogada e professora Mariana Moura e a gestora Noélia Sampaio, que participaram do processo de reconhecimento de Esperança Garcia e hoje atuam na ampliação da presença de mulheres negras na advocacia. Dados recentes mostram que, embora haja crescimento na participação feminina e avanços institucionais, a categoria ainda apresenta forte desigualdade racial, com predominância de profissionais brancos e sub-representação de pessoas negras.

Ao final, o episódio evidencia que o legado de Esperança Garcia permanece atual, refletido nas trajetórias de mulheres negras que hoje ocupam universidades, escritórios e instituições jurídicas. Apesar de avanços promovidos por políticas afirmativas e mudanças no acesso ao ensino superior, desafios como racismo estrutural, desigualdade salarial e barreiras de permanência ainda persistem. A narrativa conclui que a história iniciada em 1770 continua sendo escrita no presente, agora por uma nova geração que reivindica espaço, reconhecimento e justiça.

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