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Ônibus quebrados, atrasos e superlotação: Fórum de Transporte lança plataforma de denúncias públicas

Até o momento da publicação desta reportagem, a plataforma colaborativa “Deu o Prego”, já reunia mais de 320 registros de problemas no transporte coletivo de Teresina-PI. Linha Rural Campestre Norte lidera o número de reclamações, seguida pelas linhas Universidade e Nova Teresina–Pedra Mole. Iniciativa do Fórum Piauiense de Luta pelo Transporte Público busca transformar relatos de passageiros em dados para cobrar soluções.

O ônibus aparece no aplicativo, mas não chega ao ponto. Quando finalmente passa, está tão lotado que não há espaço para mais ninguém. Em outra região da cidade, um veículo quebra durante o percurso e deixa os passageiros à espera de uma solução. Há também quem enfrente longos atrasos, viaje em ônibus sem climatização adequada ou precise lidar com problemas de acessibilidade. Situações que fazem parte da rotina de quem depende do transporte coletivo em Teresina e que agora começam a ganhar registros públicos.

Na manhã desta sexta-feira (6), uma consulta à plataforma colaborativa Deu Prego! já contabilizava 324 denúncias relacionadas ao funcionamento do transporte público da capital. Todos os registros apareciam como pendentes, sem nenhuma ocorrência marcada como resolvida. Somente hoje, 55 novas reclamações haviam sido registradas. O levantamento apresentado pela ferramenta também contabilizava 272 confirmações de usuários, indicando que passageiros têm reforçado denúncias sobre problemas enfrentados no sistema.

Entre os relatos publicados está o de passageiros da linha 401 – Universidade, que afirmam ter esperado mais de 30 minutos na Praça da Fripisa. Quando o ônibus apareceu, estava com problemas mecânicos e seguia em direção à garagem, embora o aplicativo de acompanhamento ainda indicasse que o veículo estava em circulação. Em outra reclamação, usuários da linha 521 – Nova Teresina/Pedra Mole relatam que os ônibus passam lotados e não conseguem atender quem espera nas paradas.

Os problemas também aparecem na linha 203 – Nova Teresina/Mocambinho/Alto Alegre/Buenos Aires/Centenário. Um passageiro relata atrasos recorrentes na saída do terminal e afirma que a linha conta com apenas um ônibus em circulação. Já na linha 104 – Santa Maria, via Shopping e Jacinta Andrade, uma denúncia aponta vazamento de água do ar-condicionado sobre os passageiros. Na região rural, usuários da linha Campestre Norte registraram sucessivas ocorrências de veículos quebrados, incluindo reclamações envolvendo o ônibus 2202.

Os relatos não são isolados. Os dados da plataforma mostram que os problemas mecânicos lideram as reclamações, com 106 registros de ônibus quebrados. Em seguida aparecem a lotação excessiva, com 68 denúncias, e os atrasos, com 52. Também foram contabilizadas 27 reclamações de ônibus que não passaram, outras 27 classificadas como problemas diversos e dez relacionadas ao funcionamento do ar-condicionado.

O levantamento ainda registra sete denúncias envolvendo defeitos em GPS, rastreadores e letreiros eletrônicos, dois acidentes e duas ocorrências relacionadas à acessibilidade de pessoas com deficiência (PcD). Os números revelam que as dificuldades enfrentadas pelos usuários vão além da espera nos pontos: envolvem as condições de funcionamento da frota, a regularidade das viagens e a capacidade do sistema de atender passageiros com diferentes necessidades.

Da reclamação à organização coletiva

A plataforma Deu Prego! entrou no ar na última quarta-feira (4), como parte de uma iniciativa do Fórum Piauiense de Luta pelo Transporte Público. O coletivo foi criado neste ano e reúne trabalhadores, estudantes, profissionais da tecnologia da informação, arquitetos, urbanistas e usuários do transporte coletivo interessados em discutir os problemas da mobilidade urbana em Teresina.

A proposta é transformar experiências individuais em informações organizadas, capazes de demonstrar a dimensão dos problemas enfrentados pela população. Pelo site, qualquer passageiro pode registrar ocorrências como ônibus quebrados, superlotação, atrasos, ausência de veículos, problemas de acessibilidade e situações que coloquem em risco a segurança dos usuários.

A iniciativa também busca ampliar a participação popular na discussão sobre o transporte público. O Fórum mantém uma articulação nas redes sociais, inicialmente impulsionada pelo perfil @fimdosetut, no Instagram, e posteriormente ampliada para grupos e canais de comunicação pelo WhatsApp, que já reúnem mais de mil participantes.

Os integrantes do movimento também são usuários do sistema e afirmam vivenciar cotidianamente os problemas que pretendem denunciar. A plataforma, portanto, não se limita a reunir reclamações: busca construir uma base coletiva de informações para subsidiar reivindicações e cobrar respostas dos responsáveis pelo serviço.

Em uma cidade onde milhares de pessoas dependem dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais, saber quantas vezes um veículo quebra, quais linhas acumulam atrasos e onde os passageiros enfrentam superlotação é também uma forma de disputar o debate público sobre a qualidade do transporte.

A ferramenta está disponível gratuitamente no endereço https://www.deuoprego.com.br/  passageiros podem registrar novas ocorrências, confirmar denúncias já publicadas e acompanhar os problemas relatados por outros usuários. A ideia é que aquilo que antes ficava restrito ao ponto de ônibus, ao terminal ou às conversas entre passageiros passe a integrar um registro público de cobrança por um transporte coletivo digno e acessível.

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