
Manifestação reúne trabalhadores da educação da capital e do interior em frente à SEDUC-PI; categoria cobra aprovação do novo PCCS ainda em 2026
Professores/as e demais trabalhadores da rede estadual de educação do Piauí realizaram, nesta sexta-feira (28), uma manifestação em frente à sede da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC-PI), em Teresina. A mobilização marca um ano de espera pela definição de um novo Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) para a categoria.
A paralisação reúne profissionais da educação que vieram da capital e de diferentes municípios do interior do estado. O principal alvo da mobilização é a demora do governo estadual em avançar na proposta de plano de carreira construída pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí (Sinte-PI) após uma mesa de negociação com a gestão estadual.
Segundo a categoria, a proposta foi entregue ao governo ainda em 2025 e, desde então, permanece sem uma definição. Os trabalhadores afirmam que, apesar das discussões realizadas ao longo do período, não houve avanço sobre pontos considerados centrais, especialmente os percentuais de valorização e a estrutura da carreira.
Para a presidente do Sinte-PI, professora Paulina Almeida, a categoria chegou ao limite diante da falta de respostas do governo. “A categoria exige que o plano de carreira seja aprovado agora em 2026, para que tenha vigência em 2027”, afirma. A reivindicação ocorre em um cenário de crescente preocupação com a estrutura da educação pública estadual. Enquanto o governo do Piauí destaca a expansão das escolas de tempo integral, trabalhadores apontam que a ampliação da jornada escolar não tem sido acompanhada, na mesma proporção, por uma política de valorização da carreira dos profissionais da educação.


Dados apresentados pelo sindicato mostram também uma mudança significativa no perfil do quadro docente da rede estadual. Em 2014, os professores efetivos representavam 88% do total. Em 2025, esse percentual havia caído para 37,3%, segundo os dados utilizados pela entidade. Para os trabalhadores, a redução da participação de professores efetivos evidencia a precarização das relações de trabalho e os problemas estruturais enfrentados pela rede.
A remuneração também está entre os principais pontos de insatisfação. De acordo com estudo do Movimento Profissão Docente, o Piauí ocupa a última posição no ranking nacional de salários finais da rede estadual. Para os profissionais mobilizados nesta sexta-feira, a situação reforça a necessidade de uma reestruturação da carreira que vá além de reajustes pontuais.
A mobilização desta sexta-feira ocorre quase um ano depois da greve realizada pela categoria em 2025, quando a discussão sobre um novo plano de carreira ganhou força. Desde então, o sindicato afirma ter mantido as negociações e apresentado uma proposta ao governo, mas sem que o processo chegasse à etapa de aprovação. A cobrança agora tem um prazo definido pelos trabalhadores: aprovar o novo PCCS ainda em 2026, com implementação a partir de 2027. Para a categoria, a manifestação na sede da SEDUC-PI representa a retomada da pressão sobre o governo e um recado de que a espera por uma definição não será indefinida.
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