
O jornalismo popular, independente e colaborativo tem lado. O Corre Diário não se esconde atrás de uma falsa neutralidade para fingir que todos os projetos de sociedade são iguais ou que as desigualdades, as violações de direitos e as injustiças socioambientais podem ser tratadas como questões menores. Nosso compromisso é com os direitos humanos, a democracia, a justiça social e ambiental, a diversidade sexual, os direitos da população negra e periférica, dos povos indígenas e quilombolas, das comunidades ribeirinhas e tradicionais, dos povos de terreiro e de todas as pessoas historicamente marginalizadas. Fazer jornalismo é assumir a responsabilidade de dar visibilidade às realidades que a sociedade insiste em silenciar.
No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o debate ultrapassa os nomes que disputam a Presidência da República. Está em jogo a orientação política do país, o futuro dos direitos conquistados, a proteção dos territórios e as condições para que a sociedade brasileira continue exercendo suas liberdades democráticas.
As declarações de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição, incluindo propostas de reforma do Judiciário e da estrutura política, exigem debate público, transparência e análise rigorosa de suas consequências. A democracia não se resume ao voto: depende do respeito à Constituição, das liberdades de imprensa e de expressão e da garantia de direitos para todas as pessoas.
O jornalismo popular e independente incomoda porque rompe silêncios, denuncia privilégios e dá voz a quem historicamente foi excluído dos espaços de poder. Por isso, os ataques à imprensa, a deslegitimação do trabalho jornalístico e as tentativas de restringir a liberdade de expressão representam ameaças que não podem ser naturalizadas. Discursos e propostas políticas que concentram poderes, enfraquecem mecanismos de controle democrático ou buscam limitar a atuação das instituições precisam ser debatidos publicamente, porque seus efeitos alcançam não apenas os grandes veículos de comunicação, mas também os pequenos jornais, os coletivos de mídia e as iniciativas populares que atuam nos territórios. Abaixo, elencamos algumas das principais ameaças que o bolsonarismo representa para a democracia e para o jornalismo:
– Ameaças às instituições democráticas: propostas de mudanças na Constituição e na estrutura dos Poderes exigem atenção aos mecanismos de controle, à separação dos Poderes e às garantias democráticas.
– Histórico de ataques à imprensa: declarações e episódios envolvendo o bolsonarismo contribuíram para um ambiente de hostilidade contra jornalistas e veículos de comunicação.
– Riscos à liberdade de imprensa: a intimidação de profissionais e a deslegitimação do trabalho jornalístico podem comprometer o direito à informação e a fiscalização do poder público.
– Ataques ao jornalismo popular e independente: veículos que denunciam violações de direitos humanos, conflitos territoriais e injustiças socioambientais dependem de um ambiente democrático para exercer sua função social.
– Impactos sobre populações vulnerabilizadas: o enfraquecimento dos espaços de participação e de defesa de direitos pode afetar especialmente as populações negras, periféricas, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, LGBTQIAP+ e comunidades tradicionais.
Essa comprenssão, todavia, não significa ignorar as contradições do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Temos críticas às suas políticas, às decisões que contrariam a justiça socioambiental e às medidas que deixam de responder às demandas dos povos e comunidades que defendemos. Nossa independência editorial não se negocia, e nenhum governo está acima da crítica.
Mas reconhecer limites e contradições não nos impede de avaliar os projetos políticos em disputa a partir dos princípios que orientam nossa atuação. É justamente a existência de um Estado democrático que permite ao jornalismo investigar, questionar, denunciar e cobrar responsabilidades de quem exerce o poder. Diante desse cenário, reconhecemos no projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o compromisso com a manutenção e o fortalecimento da democracia, a ampliação dos direitos sociais, a redução das desigualdades e a construção de políticas de justiça socioambiental e de proteção às populações historicamente vulnerabilizadas. Essa posição não representa um cheque em branco, tampouco a renúncia à nossa autonomia crítica. Representa a compreensão de que a democracia precisa ser preservada e ampliada para que possamos continuar disputando, denunciando e construindo uma sociedade mais justa, plural e igualitária.
O Corre Diário reafirma, portanto, seu compromisso inegociável com a democracia, os direitos humanos, a justiça socioambiental e a pluralidade de vozes que constituem o Brasil. Não acreditamos em um jornalismo distante das contradições do seu tempo, mas em uma prática comprometida com a apuração rigorosa, a escuta dos territórios e a defesa da vida. Nosso lado é o dos povos, das comunidades e das pessoas cujos direitos precisam ser reconhecidos e protegidos. Porque não existe jornalismo verdadeiramente livre onde a democracia está ameaçada, nem democracia plena quando a liberdade de informar e o direito de existir com dignidade são privilégios de poucos.
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